segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Hikari

Acabei apagando isso ai também... Como sou distraida =p Ainda bem que tinha o documento guardado...



HIKARI

Bom, vou lhes contar a minha história. Não posso garantir que ela tem um final feliz, mas... Também não direi que ela já terminou. Deixo por conta de vocês interpretarem como quiserem todos os acontecimentos.
Meu nome é Hikari, que significa luz. Sou o que chamam de Tengu, uma espécie de “demônio” alado que vive em montanhas e florestas. Somos divididos entre clãs, e o líder de cada um deles é chamado de Dai Tengu. Meu pai é o líder do clã responsável pela justiça da sociedade.
A tradição de meu clã é que seus membros aprendam a arte da espada, algo que eu provei não ter a mínima vocação e odiei durante toda minha vida, fugindo varias vezes dos treinos diários, para a infelicidade de meu pai.
Aos oito anos conheci Chiharu, uma garota pertencente ao clã espiritual, que competia pela posição do meu. No começo eu a detestei, mas depois de um tempo ela se tornou minha melhor amiga. Como normalmente as pessoas me ignoravam e esnobavam pela falta de habilidade com a espada e indiferença quanto às tradições do clã, quando ela me tratou com carinho e atenção, logo me apeguei a ela.
Chiharu me levou a um mestre da arte do arco e flecha chamado Cho, e logo me apaixonei pela arma e me mostrei apta para seu uso. O arco e flecha era considerado uma arma de covardes por seu uso à distância, sem entrar realmente na batalha, portanto meu mestre me aconselhou à continuar indo aos meus treinos de espada e não permitir que ninguém soubesse que eu estava praticando com o arco.
Esse esquema durou vários anos sem nenhum problema, e logo me tornei tão boa quanto meu mestre. Chiharu e eu nos tornamos tão próximas como irmãs, e podia contar com ela em qualquer situação.
Tudo parecia perfeitamente bem até um dos subordinados de meu pai me seguir para ver o que eu fazia sempre depois dos treinamentos. Eu estava audaciosa por excessiva crença em minhas habilidades que não tomei as devidas precauções.
Foi um escândalo. Papai ficou furioso e Cho foi punido por intervir nas tradições de um clã que não dizia a seu respeito. Fui proibida de sair de casa, o que é claro, não obedeci, e fugi ao lugar que sempre costumava encontrar Chiharu, mas ela não estava lá. Deprimida, sentei-me e comecei a cantarolar uma musica suave.
Nesse instante surgiu um garoto, mais ou menos da minha idade, na entrada do esconderijo. Era alto, cabelos e asas negras como o céu noturno e olhos estranhamente da cor lilás. Ele sorriu para mim e elogiou a canção.
Logo depois fiquei sabendo que ele era um amigo do clã de Chiharu, e se chamava Yami, em minha língua trevas. A partir desse dia ele passou a vir me ver, pedindo para ouvir mais uma canção. Alguma coisa nele parecia me hipnotizar, me deixar sem ação, com o coração disparado. Eu estava deprimida e também fui severamente punida por fugir novamente, ao mesmo tempo em que Chiharu parecia não gostar de me ver com ele, e agia friamente na hora que mais precisava dela, então quando estava com Yami era a única hora que me sentia confortável.
Começamos a nos ver apenas na calada da noite para eu não ser descoberta. Porém, numa certa noite ele não apareceu. Fiquei o dia todo inquieta e tensa, e quando a grande Amaterasu, a deusa que trazia a luz do dia desapareceu, e somente o sons das cigarras eram ouvidos, ele surgiu à minha janela.
“Temos que fugir”, disse ele, entregando meu arco, uma enorme aljava de flechas, e uma capa preta, igual à que usava. Também carregava consigo uma enorme foice que costumava usar. Confusa o segui, e enquanto voávamos, ele me contou o que estava acontecendo.
O ancião do clã espiritual teve uma visão durante o sono. Previu que alguém iria revolucionar o modo de vida da nossa espécie, e causaria um banho de sangue. Essa pessoa tomaria o poder e controlaria tudo de acordo com sua vontade egoísta.
Parecia que alguém havia manipulado a profecia para pensarem que eu seria tal pessoa. Agora havia uma ordem de execução em andamento. Meu pai era o líder da operação.
Nesse ponto nós pousamos. Eu não conseguia mais me mover, as lagrimas brotando dos olhos. Por que isso estava acontecendo? Não podia acreditar. Meu próprio pai?
Começamos a perceber uma movimentação na floresta. Então já haviam descoberto que eu fugira. Não era hora de perder tempo. Com um grande esforço, sequei as lagrimas do rosto. Yami me fitava com um olhar pálido e preocupado.
“Vamos”, sibilei reunindo todas minhas forças, e virando-me para decolar. Mas ele me segurou e puxou num abraço apertado.
“Vai ficar tudo bem” murmurou ele em meu ouvido. Em seguida segurou meu rosto e beijou suavemente meus lábios.
Um grupo de Tengus de mais ou menos vinte surgiram de todos os cantos à nossa volta. Droga, havíamos perdido tempo demais. Estávamos cercados. Todos os guerreiros eram do meu clã. Tentei conversar com eles, explicar a situação, tudo em vão. Eles tinham ordens de me levar sob custodia até meu pai, e me imobilizar junto com qualquer um se oferecêssemos resistência.
Antes que pudesse pensar em algo Yami partiu para cima de um deles e retalhou sua asa. Entendi perfeitamente a mensagem. Não havia outro jeito, teríamos que forçar a passagem. Carreguei o arco e atingi mais dois. O que se seguiu foi um massacre. Todos nos atacaram ao mesmo tempo, mas estávamos furiosos e enquanto eles tentavam dos imobilizar, nós não hesitávamos em matar.
Encontramos mais grupos depois deles, e após termos matado um número que provavelmente já passava dos cinqüenta, estávamos cheios de arranhões, exaustos e no nosso limite. Haviam dois dardos fincados em uma das minhas asas que atrapalhavam o vôo, e Yami trazia um corte no peito que sangrava perigosamente.
Meu pai se aproximou planando de nós dois, olhando horrorizado para a pilha de corpos e manchas de sangue nas nossas roupas. Quando o vi um calafrio percorreu minha espinha e mais uma vez as lagrimas atrapalharam a visão.
“Pai...” supliquei com a voz seca.
Ele fitou-me com olhos frios e torturantes, e sacou a espada.
“Você não é minha filha”
Não consegui reagir e quando a lâmina fria se aproximou Yami foi quem, com esforço, conseguiu bloqueá-la.
“Hikari, faça alguma coisa!” gritou ele contendo mais um golpe da espada.
Yami estava se contendo. Ela não mataria meu pai. Mas era mesmo meu pai? Ele nunca havia me tratado com afeto como deveria, eu sabia que ele sempre me odiara, e agora brandia uma arma contra mim. Talvez... Talvez me culpasse pela morte de minha mãe, por ela ter ficado fraca depois do parto e ter contraído aquela estranha doença...
Tinha de me mover, Yami estava perdendo. Mas, quem escolher, a família ou o amor? Não podia mais hesitar. Ele conseguiu desarmar Yami, a foice voou alguns metros e foi se estatelar no chão. Novamente ergueu a espada, dessa vez para desferir o golpe final.
Mas a espada caiu de suas mãos quando uma flecha perfurou seu peito. Lançando-me um ultimo olhar agonizado, desabou sobre uma árvore.
Tremendo até o ultimo músculo, me aproximei de Yami, também apavorado. Parecia que havia acabado. Inopinadamente, uma onda de energia nos atingiu e paralisou. Magia, a habilidade do clã espiritual. O que eles faziam ali? Yami de repente ficou ainda mais pálido. Havia sentido uma presença que eu não conseguia sentir. Logo percebi o motivo.
Dois enormes olhos dourados emergiram das trevas no segundo seguinte nos vimos diante de Chiharu. Mas não era aquela garota sorridente e gentil que havia conhecido. Uma aura assassina emanava dela, e quando falou, sua voz era cheia de rancor e ironia.
“Então mandar o velho pra matar a filhinha não funcionou, não é? Mas devo admitir que não esperava que você conseguisse atirar nele”
“Sua...” Yami estava furioso, enquanto eu não entendia o que estava acontecendo, ou melhor, não queria acreditar. “Foi você, o tempo todo...”
“E você, o bobinho apaixonado, nem percebeu o que eu estava tramando”
Senti a compreensão se espalhar como um veneno agonizante.
“Você parece meio confusa, Hika-chan” continuou ela com um sorriso maligno “Não suspeitava que sua querida amiga estivesse por traz do seu mandado de morte?”
“O que...?”
“Deu o maior trabalho manipular a mente daquele velho vidente pra fazê-lo pensar que ao invés de mim era você que queria fazer uma revolução. Mas, no fim valeu a pena. Bom, você ainda não está morta, mas nesse estado não me apresenta ameaça. Acho que é melhor se eu mesma terminar o trabalho.”
“E você pensa que eu vou deixá-la encostar nela?!”
“Não se intrometa, isso não é da sua conta, Yami. Depois de matá-la será a sua vez”
O desespero dominava meu corpo e não me permitia esboçar reação. Duas traições em uma noite. Mas Chiharu... Eu confiava nela muitas vezes mais do que em meu pai. Raiva começou a tomar lugar dos outros sentimentos, eu havia sido tão burra!
“Depois que eu levar sua cabeça para os anciãos eles não terão mais do que desconfiar sobre mim, e terei liberdade absoluta para realizar meus planos. Então, podemos começar?”
Ela ergueu a mão para invocar mais uma magia. Ainda estávamos paralisados, não conseguia mover meu braço para alcançar as flechas. Era o meu fim, pensei, que deprimente. Lancei o que pensei ser o ultimo olhar a Yami. Pelo menos, podia vê-lo antes da morte.
Porém ele não perecia satisfeito com aquele fim. Seu rosto se contorcia em esforço e tanto suor como sangue pingavam ainda mais intensamente. Uma bola de energia começou a se formar na mão de Chiharu enquanto ela recitava o encantamento. A última palavra saiu de sua boca e o sorriso maligno se tornou ainda mais ofuscante.
“Adeus”
Um lampejo de luz ofuscou minha visão durante um instante, seguido de um grito furioso. Ainda sem enxergar, senti algo quente escorrer sob meus pés. Aquela tensão que imobilizava meu corpo desapareceu, pelo jeito a magia havia acabado. A visão começou a voltar difusa, e me vi em frente a uma cena aterradora.
Chiharu segurava o lado direito do rosto ensangüentado, como se algo tivesse atingido seu olho. Aos meus pés jazia Yami, um enorme buraco aberto em seu peito.
As lagrimas novamente chagaram, com muito mais intensidade, enquanto me ajoelhava à seu lado. Com as mãos tremulas segurei seu rosto.
“Não, não...”
“Tudo bem, isso ia acontecer de qualquer modo.” gemeu ele com a voz fraca “ Luz e trevas... Assim como o dia e a noite, um precisa morrer para o outro nascer”
Aquele mesmo sorriso caloroso de sempre encheu seu rosto. Depois, os olhos perderam o brilho, os músculos tensos relaxaram, a pouca cor da pele que restava desapareceu. Um dos punhos que estava cerrado se abriu deixando a mostra algo que parecia um olho banhado de sangue
“Desgraçado... Como... Como pode... Meu olho... Com suas mãos” Chiharu estava possessa, e ofegava com a dor do ferimento. “Desgraçado... Desgraçado!”
Levantou-se com dificuldade, e cambaleante mirou a mim com ódio
“Queria salvá-la, não é? Pois bem, não vou matá-la.” Ela havia perdido a sanidade. “Não... Vou mandá-la para o pior lugar do mundo, esquecido pelos deuses, dominado pelo caos. Onde tudo funciona ao contrário. E ela sofrerá pela eternidade por sua morte. Vou mandá-la para o NADA!”
Mais uma vez a mão se levantou. Percebi que era hora de contra-atacar. Quando fiquei cega perdi o arco, e agora revirava todos os cantos à sua procura. Estava bem próximo, o alcancei no momento que um redemoinho de energia negra se formava à minha frente. Puxei a corda, contando apenas com um tiro, e soltei-a no momento que a massa escura me engoliu.
Depois disso não vi mais nada. Tudo girava. Mas estava mesmo girando? Não sabia dizer, não sabia nem se estava viva ou morta... A dor dos ferimentos sumira. Sentia-me parcialmente confortável, apenas algo lá no fundo parecia me cutucar como um espinho. O que era? Não lembrava de mais nada. Por que aquilo estava acontecendo mesmo?
Acordei do devaneio com um baque, de volta a realidade. Os ferimentos voltaram a doer, ainda mais intensos. Abri os olhos. A paisagem à minha volta não era igual a nenhuma que já havia visto. Terras e mais terras planas seguiam por quilômetros, e ao longe se podia ver algo como a silhueta de uma cordilheira. Onde estava?
“Bem vinda ao Nada.” Pensei comigo mesma














Enquanto isso em Sora, o mundo dos Tengu...
Chiharu estava ajoelhada com uma flecha trespassada no peito. Gotas vermelhas pingavam e cobriam desde seu cabelo castanho até as vestes finas.
“Droga... Devia ter levado mais a serio a outra parte da previsão que dizia que a Luz viria dos céus para impedir que meus planos se concretizassem. Hehe, agora já é tarde.”
Algumas horas depois Tengus de todos os clãs se juntaram horrorizados para ver a cena do massacre. O corpo de Chiharu, frio e sem vida, foi levado para ser cremado junto com os outros, à base do Monte Fuji.

Informações sobre Hikari:
Bom, estão ai mais algumas informações interessantes sobre a minha personagem ^^
Cor do cabelo: loiro
Cor dos olhos: azul elétrico
Cor das asas: branco
Personalidade: hiperativa, teimosa, grosseira, persistente, bruta, irritante, corajosa
Coisas que carregava quando chegou ao Nada: arco, aljava de flechas, dardos envenenados, uma zarabatana, dois vidrinhos de veneno, uma capa preta longa.

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