segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A sala do trono

A SALA DO TRONO

A porta abria-se lateralmente permitindo que William entrasse na sala real. Apesar do título era uma sala simples, de poucos ornamentos, com a exceção de algumas cadeiras e de mesas que eram usadas na época em que as reuniões ocorriam naquele aposento e do trono onde repousava o imperador. Suas paredes e o chão conservavam as memórias de guerra das naves das quais o metal foi retirado.
Trajava uma armadura de aspecto rústico e debilitado, mas fora usando ela que conquistara vitória atrás de vitoria em tantas batalhas. Um elmo lhe cobria toda a face, exceto onde existia um rasgo no metal que abrangia uma zona um pouco maior que seu olho esquerdo.
- Alteza – Falava em um tom brando o jovem William à silenciosa armadura, todavia assim ela permaneceu.
- Alteza – Repetia enquanto aproximava-se do trono. Os passos o levavam mais perto do imperador, permitindo-lhe noticiar que este último estivera dormindo desde antes que chegou à sala.
- A idade não tem feito nada de bom a ele – Comentava enquanto coçava os longos e números fios negros que lhe cobriam o crânio.
- Se for para me insultar, o faça enquanto estiver longe de mim ou certifique-se que estou de fato dormindo. – Um olho amarelo âmbar acendia-se por trás da fissura negra de seu elmo. Era a única parte visível da “humanidade” do imperador, não que isso fosse reconfortante.
- Um dia enquanto realmente dorme, alguém o matará e tomará seu lugar ao trono. – Um sorriso irreverente e seus olhos fechados denotavam a brincadeira na fala.
- Conto que me matará o dia em que eu estiver em tal estado, meu aprendiz. – Devolvia-lhe a brincadeira com o que seria um sorriso imaginário na mente de William. – Falando em aprendizes, onde está aquele bastardo do seu irmão?
- Richard está treinando com a guarda pretoriana. Estava conseguindo bons resultados, mas não tardará que o ego há de lhe subir a cabeça e ele decida lutar com mais homens do que pode derrotar.
- Mesmo sendo gêmeos, vocês são muito diferentes. Aquele fracassado realmente acha que pode me vencer. – Dizia ao mesmo momento em que se punha de pé. – Me diga, qual o motivo da sua visita?
- Algumas de nossas tropas avistaram dois banidos enquanto defendiam a cidade Aion de uma ofensiva Separatista. Aparentemente fugiram para as florestas do norte.
- Fazia algum tempo que não tínhamos um banido, muito menos um ao nordeste daqui. Bom, acho que minha folga acabou.
- Afinal você há de honrar suas funções como o Ministro da Justiça, não só mantendo esta dentro tal como fora de nossas cidades. – O sorriso voltava-lhe o rosto.
- Adoro ter de cuidar de dois cargos. – Reclamava em tom sarcástico enquanto arrastava de trás de seu trono uma peça de metal que ele chamava de espada, mas o tamanho desta e sua ausência se fio, tornava difícil chamá-la desta forma. – Magnífica, não?
- Quase tão grande quanto o senhor e tão pesada que nem eu e o Richard juntos conseguimos empunhá-la. Tome cuidado enquanto caças, oh grande Vasquez, Ministro da Justiça e Imperador do Nada, não o queremos morto!
A proteção que lhe cobria a boca abriu-se permitindo que Vasquez falasse em sua voz inalterada um singelo – Vá se danar William! – enquanto arrastava a pesada espada pelo chão enquanto andava porta a fora.

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